quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Pretinho da rua debaixo

O pretinho da rua debaixo morreu 
Nada diferente do que sempre aconteceu 
Ralava o dia inteiro 
Pra estudar de noite 
Tentava honestamente 
Fugir de seu açoite 
Mas o demônio 
Outra vez decide rir 
E aproveitando o tal direito de ir vir 
Combina com o destino 
Que faz a ocasião 
Boteco de quebrada  
Logo vira paredão
Um tiroteio de problemas sociais  
Faz escorrer o mesmo sangue  
Que sangrou de seus ancestrais 
Pois da senzala pra favela  
Muito pouco mudou 
Só o capitão do mato que se motorizou
O documento é a cor da pele 
Não vá discutir  
Arrume um canto pra ficar  
Ou se arriscar 
Tente fugir  
Que a pipoca estoura no calor do cano 
E a sugeria...
O governo passa um pano 

-Todo mundo tá de Chico (Melô do Isentão)-

Pelo jeito 
Todo mundo tá de Chico... 
E pagando mico na geral 
Uns esperneiam  
Outros tantos abrem o bico 
Com saudade de General 

Eu tentei falar 
Mas do asfalto 
Alguém falou mais alto 
E ninguém me escutou 

Pra não discutir  
Já não implico 
Dou um gole 
E aqui, fico... 
Esperando outro carnaval

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ela martelo, eu o prego


Meu pai me tira dessa

Já errei à beça

Mas vou me endireitar

(Já sei o que vai falar...

Da outra vez eu prometi não mais errar)

E juro que tentei

Mas a danada...

Insiste em me atentar

Ela vive na esquina

Com seu jeito de menina

Sempre pronta a me aprontar

Vou seguindo a vida reta

Mas ela é muito esperta

Não consigo desviar

Ela martelo

E eu o prego

Logo arrego

Me entrego

Ao seu cheirinho sem igual...

E por quê?

É que na hora ela me faz tão bem...

“Esqueço tudo adiante

Fico forte

Radiante...

Confiante”

Mas...

Num instante depois, ela me faz tão mal


 

Adianto do atraso

Não foi culpa do acaso
Adianto do atraso
Ou descaso da razão
Aprontou-me o destino
Por nos tempos de menino
Eu ter aprontado também
Mas hoje...
Já paguei as minhas contas
Redimi os meus pecados
Segurei as minhas pontas
Será, que me sobrou algum haver?
E eu fui te conhecer...
Para me convencer
Que ganhar ou perder
Depende...
Do teu senso feminino
Com poder de escolher

Se fosse só verão

Se fosse só verão
A nossa estação
Se fosse só cantar
O trecho do refrão
Se fosse só querer
Pra não desmerecer
O tempo que passou
Porque cansou de ser
 
Se fosse só talvez
Por ter perdido a vez
Se fosse apenas um
Por ser tão incomum
Se fosse apenas eu
Por ser somente teu
Mas, sei não deu...
Azar o meu
 
Não espero desculpa
Pois se há culpa
Não sei de quem é
Mas o que foi riscado e rasgado
Vou deixar guardado
E se eu achar o culpado
Conto pra você!

Não quero mais saber de ir à igreja


Não quero mais saber de ir à igreja
Veja só que malfazeja  
Que o Padre confessou
Disse que a mula sem cabeça
Por incrível que pareça
Ficou assim
Porque ele a enganou
E o Coroinha...
Escutando a ladainha
Disse que a pobre mulinha
Era sua mãe
Foi uma Santa confusão
Entrou na briga o Sacristão
Sobrou até bofetão no Capelão!
A Freira foi pedir socorro
O bispo disse: - Assim eu Morro de vergonha!
Ai ai meu Deus
São Tomé não acreditava
São Benedito branquejava
Frente à situação
São Jorge disse pro Dragão:
Corre, cumpadi... Vai sobrar pra gente!!
Na santa ceia, que tristeza
Não sobrou ninguém na mesa
E a conta Judas pendurou...
E até hoje ninguém pagou!
Então, quando eu vestir meu terno...
“Eu posso até ir pro inferno
Mas na igreja... não volto não!”

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Se paciência for ciência

Se paciência for ciência
De certo não é exata
As vezes por inocência
Ou excesso decência
Juízo alheio faz questão de atacar
Nos acelera a cadência
Descompassa a coerência
Muda até o jeito de ser
E toda condescendência
Torna-se inflada veemência
Para se fazer entender